O que encontro na última folha do meu caderno de biologia...
Emerges nos meus pensamentos. Sinto as tuas mãos a afagarem-me os caracóis, ouço a tua voz rouca a recitar Kafka, imagino os teus lábios finos e os teus cabelos escuros e desordenados que teimam tapar-te o rosto. (...) Tento ainda compreender o que te tornava tão singular. Eras-me refúgio até quando tu próprio me desgastavas o ser e roubavas o sentido à vida. Lembro-me das inúmeras vezes em que tentei retratar as tonalidades das tuas bolas que viam. Nunca consegui : os teus olhos mudavam de cor. E por isso nunca os pude chamar de peixes verdes (...)
Pergunto-me o porquê desses silêncios abruptos. Já não te sou nada, já não te sei ser nada, já não te quero ser nada. E esse nada torna-se a cada silêncio mais vazio.
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